
Dando continuidade à saga, eram 5 minutos que restavam antes do início da partida e de eu me acomodar com um pé em uma cadeira e outro pé na outra, em pé mesmo. A adrenalina ainda era geral e coletiva, não haviam ainda os pedidos de "Senta, senta". Me perdoem aqueles que queriam um jogo confortável, mas eu esperei mais de 3 anos não foi para ficar sentado e sim pra cantar até sentir o inapelável e maravilhoso incômodo na garganta. Gritos de "Fogoooo" ecoavam da nossa parte.
O jogo em si vocês já devem ter visto, revisto, comentado, cornetado, estraçalhado em todos os miúdos. O que apresento aqui é uma singela versão de quem esteve lá no campo, afinal é onde se pode ver muito mais. Quem é do Rio sabe disso.
Em uma jogada esquisita, o Lúcio Flávio chutaria para fora mas o Loco, nosso Leviatã que surge nos momentos mais importantes, colocou o pé no meio do caminho para que a redonda fosse parar no barbante cearense.
Festa pra car*** nas arquibancadas inferiores, levei meu primeiro corte na perna esquerda aí, já que o espaço entre uma cadeira e a outra da frente no Castelão não se dão bem com o tamanho das minhas pernas. Todo mundo pulando e o coro de "Uh! El Loco" ecoando bonito no estádio.
Depois foi a vez de aparecer nosso problema. Não, não é o Lúcio Flávio. Problema é algo que aparece, e a única coisa que o LF não faz é aparecer. Então...
O problema se chama excesso de cabeças-de-área/zagueiros/de-bagre. Tava cedo demais pra ficar tocando bola, ainda mais na nossa defesa. Jefferson já tinha feito 2 intervenções, sendo 1 espetacular, mas apesar de ele ser MUITO bom, ele não pode jogar por quem está à sua frente. Num passe do Rozário, o Leandro consegue manter sua regularidade de 1 erro = 1 gol. Pouco tempo depois, o Marcelo Nicácio consegue rolar pro Geraldo marcar um golaço... já tava ficando puto com tudo aquilo. No final do 1º tempo, o Túlio Souza quase arranja um gol pra gente ficar mais feliz antes do intervalo. Quase...
Intervalo pra beber uma água e recuperar um pouco o gás e a voz.
2º tempo mal começa e depois de algumas chances perdidas, o Homem - ou Leviatã - surge no momento certo para finalizar com estilo uma bola dada pelo Alessandro. Artilheiro é assim mesmo, sabe o momento certo e está no lugar certo pra conferir. Mais festa e os gritos de "Uh! El Loco" se repetem várias e várias vezes (acredito que tenha superado "Fogo" em número de repetições. Feliz é aquele que faz a estrela brilhar e a torcida sorrir). Logo depois disso, 2 sustos, o 1º ainda maior que o 2º. Fahel chuta a bola em cima de Leandro e ela caprichosamente bate na trave. Detalhe: Creio que cada botafoguense ali fez algum gesto que considerou extremamente importante pra bola não ter entrado. Minha superstição pessoal foi o fato de ter segurado o escudo com força no momento de insanidade de nossos 2 volantes. Acho que foi a Ísis quem me olhou quando eu disse que mio cuore tinha parado de bater por 1 segundo.
Pouco mais adiante, Jóbson completa sua 7ª jogada em que ele corta todo mundo na defesa adversária mas tenta resolver sozinho, chutando em cima do Michel "Emo" Alves. Toca, Jóbson! Não adianta mostrar o pinto depois se em campo não mostra ao menos solidariedade e espírito de grupo. Era jogo de campeonato e pra gente valia título (o número de combinações torna praticamente impossível o título, a uruca teria que ser forte demais pros adversários e o Botafogo vencer todos os jogos).
Chances criadas e perdidas dos 2 lados em um jogo que não foi ruim, mas sim cheio de alternativas. Pra nós botafoguenses fica a resignação em ter um 10 que passou 1 tempo e meio sugando o time. Quando o Michel foi expulso e cantamos o nome dele, aí passamos a ter um a mais, mas já tinhamos passado tempo demais com um a menos, então não houve tanta vantagem.
Mas cabe também ressaltar a boa base do time, principalmente os ícones Jefferson e Loco Abreu, humildemente chamado por este reles redator/poeta frustrado de Leviatã, a figura mitológica que surgia com força de um colosso para derrotar seus inimigos.
A saga cearense para ver o Botafogo jogar valeu muito, deixando-se de lado o jogo, pela estrela que brilha mesmo tão distante de casa e pelos amigos que o Botafogo é capaz de nos proporcionar.
Isso tudo não tem preço.
E eu passaria por tudo de novo, só pelo Botafogo.
Abs,
Saudações Alvinegras
Um comentário:
Muito bom o texto!!! Sou de MG, e, nas poucas vezes que pude ir ao RJ ver jogos do Fogão, a emoção foi semelhante!
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