
Por um motivo que a mim parece bastante razoável (o de temer ser repetitivo em críticas e elogios ou ter que alterá-los de semana em semana em decorrência da irregularidade de apresentações individuais) decidi que o melhor seria esperar o desfecho do ano futebolístico para voltar ao exercício da escrita.
Se você pegar uma folha de papel em branco e for escrever o que foi o ano do Botafogo, sairá um rascunho de uma bonita crônica, nada poético, mas suficientemente interessante para nós, torcedores. Só que como disse, apenas um rascunho. Que foi borrado constantemente da 2ª metade do campeonato em diante.
Senão vejamos:
Temos o atual goleiro titular da seleção brasileira e, antes que eu seja louco de criticá-lo, pontuo que ele mesmo cometeu erros que custaram pontos preciosos nessa reta final. É e continuará sendo uma das pilastras desse time/elenco, vez que com sua qualidade não há no mercado.
Nossa dupla de zaga é razoável, com um zagueiro capaz e outro que é bastante irregular (para não descambar na crítica pejorativa) e se preocupou muito mais com seus "looks" que com a bola que jogava.
Nossos laterais (quais deles? bom, aqui cabe a diferenciação) Lucas e Cortês, a exemplo da campanha do time, não conseguiram manter um mesmo nível de atuações, com um agravante para cada. No caso do lateral direito, a agravante vem com a insistência do antigo técnico em um revezamento inócuo com o "patrimônio/presidente" Alessandro. No caso do esquerdo, a agravante vem de uma espécie de "Carruagem de abóbora", pois jogou espetacularmente bem a ponto de chamar a atenção do técnico da seleção brasileira e, após a convocação (talvez as 12 badaladas do sino), recuperou um futebol digno de time da baixada.
Tinha nossa dupla de volantes como uma das melhores do Brasil e em matéria do que apresentaram faziam jus a esse título. Mas hoje somente Renato consegue desfilar (o termo é esse) seu futebol em detrimento de tanta gente que se esforça para se manter em pé e pensar ao mesmo tempo. Ainda é um ponto forte que possuímos. Para a próxima temporada, esse volante mais clássico me parece uma nova peça fundamental.
No meio, uma boa revelação vinda do futebol baiano que de repente passou a não jogar nada ou, para ser mais justo, manteve algum esforço para criar jogadas, mas se tornou muito menos produtivo. E ao lado dessa revelação, um jogador que considerei fundamental (na melhor fase do time no campeonato, ele era sim) e sempre vi com bons olhos, mas que igualmente caiu na mesmice.
E então, chegando ao ataque, temos um homem. Sim. Um homem. Somente um. Que compõe com aquele lá do início dessa relação as colunas de sustentação desse time em termos de qualidade e moral. Me desculpem não citar um argentino, um ou mais garotos da base, mas só tem esse homem mesmo. E foi a falta de alguém mais técnico a lhe fazer companhia uma das coisas que mais sentimos contra nós no campeonato.
Quanto ao técnico? Esse já pegou o boné e foi treinar em outra freguesia. Sinceramente, e aí terei atrito com boa parte da torcida, as falhas dele são menores do que as que colocam em sua conta. O problema maior não foi quantidade de falhas, mas o momento em que elas ocorreram. Esquecer do objetivo do clube/time pelo seu próprio, escolher tática interessante mas não ter pulso para mantê-la e inventar uma pouco treinada no final do campeonato... enfim, poucos erros, mas enormes.
Esse talvez fosse um post em que eu dissesse que A ou B não merece vestir a camisa do Botafogo, mas eu não sou pago para fazer essa avaliação e, sinceramente, por termos de merecimento, aumentaríamos em muito nossa dívida trabalhista com o nº de multas rescisórias. Se quem é pago para gerir e conhecer desses assuntos não é competente, que se busque outro. (ah, isso já é uma cornetada. Bom, não estou livre de fazer um ou outro comentário mais pessoal).
Ou quem sabe um post para dizer que teremos um ano negro em 2012, já que muito provavelmente nossos 3 rivais estarão na Libertadores (2 já estão) enquanto nós disputaremos Copa do Brasil e Sul-Americana. Ainda mais com as novas cotas de TV que de fato são menores que a deles. Mas existe um certo exagero no drama de quem acusa assim como um certo exagero no ufanismo de quem é acusado, na tentativa de se defender. A César o que é de César. Essa é a administração eleita para os próximos 3 anos e, apesar de terem errado em alguns pontos, foram competentes em outros.
A intenção desse post não é defender nem acusar, mas somente incultar algumas observações.
Há quem diga que o dinheiro do rival tricolor é todo de PAItrocínio, no que concordo, mas não é mais só o dinheiro deles (ou de quem os patrocina) que chama atenção. São 2 títulos nacionais e alguns jogos vencidos de uma forma que, épocas atrás, colocada a camisa do Botafogo no lugar daquela colorida, nos faria corar de orgulho.
Somos maiores que eles? Sim, somos. Mas em termos de mercado, é com eles que competimos. São os mais simples de serem derrotados na formação de novos torcedores. E um ponto bom que temos - marketing - infelizmente não veio acompanhado de conquistas maiores (o que não é motivo para debocharmos desse departamento, já que funciona, e bem).
Nossa história é linda, nossos ídolos inesquecíveis, a perseverança da torcida é louvável, mas é necessário estímulo. Se ao invés de feitos, tivermos desculpas, o clube continuará agonizando. Sempre com a ideia de que ele se levanta ao menor sinal, mas este precisa existir, precisa ser conquistado.
Sem mais por ora, feliz (sério, sem ironia) 2012.
Saudações Alvinegras.
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