Como lembrou muito bem o Fernando Molica através do Twitter, havia muito tempo que o Botafogo não ganhava por 3 gols de diferença, e não só isso, como também demonstrando vontade de fazer mais, de entender seu porte e a situação de estar em casa diante da torcida.
Torcida essa que aos poucos começa a perceber mais jogo pelo chão, mais trabalho de posse de bola, idas ao ataque independente da vinda do adversário para o nosso campo. Hoje o Botafogo não mais espera, mas age, se impõe, faz valer sua condição de grande do futebol nacional.
Isso quer dizer que viramos um timaço? Não, longe disso, mas como eu havia escrito no início do ano, não era time para ter jogos difíceis contra os pequenos, nem para empatar. Me dirão que outros grandes perderam/empataram contra esses mesmos pequenos. Eu não me importo com os outros times, nosso hino já dá a tônica da pressão "não podes perder, perder pra ninguém" (empate com gosto de derrota entra na conta).
Pegamos o Paraná Clube ontem, que possui alguns bons valores individuais, lançados cedo ao profissional pela crise que assolou o clube. Passada a consideração de um estadual mais afortunado a eles, é bom que se diga que o Botafogo não foi o time covarde e com medo de ousar como outrora.
As correntes se partiram, a coleira afrouxou e o time pôde jogar sem medo de fazer - e tomar, contanto que faça mais - gols.
Foi simples, sem toda a angústia que havia anteriormente, que o time se postou em campo. Arévalo apareceu como volante mordedor, deixando a classe pro Marcelo Mattos. João Filipe apareceu bem compondo com o Antônio Carlos (tchau, Rosário). Márcio Azevedo ainda jogou menos do que eu havia me acostumado a ver, mas apareceu muito mais do que antes. Ainda houve a vantagem de um jogador a menos (Alessandro), mas ele não comprometeu, até foi razoável, só que o Lucas é titular. Evérton jogou os 90 minutos, o que é bom ressaltar. Caio cavou um pênalti inexistente (deu certo), Bruno Thiago estava afoito e Willian teve uma boa chance, além de não ter tirado o pé da dividida num lance que quase se machuca, mostrou coragem.
3 páragrafos separados para 3 jogadores diferentes:
Herrera: Diga-se, é um dos jogadores de mais raça/vontade que eu vi com a camisa do Botafogo. Isso cativa, anima o torcedor. Estava em uma fase terrível. Jogou em 2 partidas como o Herrera que víamos em 2010. Ontem voltou a fazer uma partida nesse nível. Espero que mantenha a regularidade. Ele é importante. Ontem foi com 2 (seriam 3) assistências para gol. Perdeu um muito feito mas soube lidar com o início das vaias e responder em campo, onde é para ser.
Jefferson: A minha maior dúvida na época do Joel era "por que um goleiro que chega à seleção brasileira tem de estar tão entrincheirado no seu gol, e seus companheiros tem de dar tanto espaço?". O resumo é que fosse outro goleiro e os resultados teriam derrubado o ex-treinador ainda no ano passado. Ele se garante lá atrás, mas os outros precisam fazer lá na frente para que não tenha que sair sempre como herói por um empate ou uma derrota menor. Até porque não há derrota menor no coração de um torcedor. Em matéria de defesas difíceis, fez 3, exatamente o número de gols que fizemos. Acredito que faria 3 ou mais com o ex-técnico, com a diferença que não tenho tanta certeza se nós faríamos os 3 gols.
Sebastian "El Loco" Abreu: Esse já deveria ser figura batida como destaque, mas é incrível a capacidade dele de ser incrível. Não sei quanto à idolatria, muitos podem citar a nossa carência recente de um nome pujante como ídolo. Eu, particularmente, ainda que não o considerasse um ídolo, já o teria em conta pela personalidade e pela figura sensacional que ele representa. Mas não tenho esse problema, afirmo a quem quiser ouvir que o ídolo do Botafogo é uruguaio e para todos os efeitos, melhor não duvidar, porque numa cavada ele pode fazer a tumba de muito time. Ontem fez 2 gols, abraçou os reservas - sinal paternalista, mas de um hierarquicamente igual. Não um pai, mas um irmão mais velho - e saiu mais cedo por precaução, por entender seu espaço e sua importância para o jogo seguinte. Ainda fez uma jogadinha linda. Palmas para o torcedor Abreu que alocou os 2 gols de seu Nacional no rival Fluminense e, como disse a Ana, "fez" 4 gols. Com 3 é música, com 4 é festa a noite toda.
Não estamos tão bem ainda, mas sumimos com o fantasma da 2ª fase da Copa do Brasil. Pegaremos o Avaí, do Guga, podendo pensar em ir às semis do Carioca e garantir o lugar entre os finalistas pela 6ª vez, lutando pelo 3º título, o 2º consecutivo. Mas também almejando uma taça além do Rio, coisa que não acontece, sendo bastante rigoroso, desde 1995.
É lícito e lógico afirmar que precisamos de reforços, se ainda no time titular, que dirá no reserva. Mas antes de qualquer coisa, a postura de um time ajuda na confiança de um torcedor. E essa mudou, não esperamos mais o soldo para saldar a fatura. Damos as cartas, sempre que pudermos.
S.A.
Um comentário:
É outra postura. Uma postura mais ofensiva, como nós queríamos.
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