O que dizer depois de uma derrota? O que falar de um treinador que saca os dois laterais ditos titulares para "inventar" Somália na esquerda e Caio na ala direita (nem no ataque ele vem rendendo)? O que pensar de um profissional que chama um integrante da torcida, que, em tese, é o pagador de seu salário, para cair dentro da porrada? O que, por Deus (acreditem nele ou não) é esse Botafogo perdido, sem ordem e sem rumo dentro de campo?
No ínterim entre o último post (vergonha pela derrota no Sergipe) e esse revés contra o time da Colina* o Botafogo procurou se arrumar, passou apertado, nos pênaltis, pelo River; ganhou seus jogos no 2º turno. O esquema com 2 meias trazia, senão mais certeza de time forte, ao menos um pouco mais de organização.
Parênteses: "O Pedro Chilingue lembrou a vantagem de um blog casual sobre o time, que é você não ter a Obrigação de postar quando está de cabeça quente, p da vida com o resultado. Ao contrário disso, o estandarte que temos, que é o Zé Fogareiro, tem de sempre redigir algo, não importando se a felicidade de uma vitória (ou mesmo um título) ou a vergonha de uma derrota (ou mesmo um vexame)."
Voltando...
A notícia da venda do nosso meia mais técnico para a China (!!!) até agora não foi bem digerida por mim, até porque toda a torcida se prende na esperança de ver novamente o Maicosuel, mas ele só volta em maio, no Brasileiro, e mesmo voltando, não pode ser o único no time a poder fazer a diferença nesse meio. Assim ele foi em 2009 e em quase todas as partidas que fez em 2010. É um jogador que pode desequilibrar uma partida, mas se ater somente a ele chega a ser cruel por parte da diretoria, e o torcedor compra a ideia...
Além disso, o que queremos? (li essa indagação de um torcedor) Se é mais importante ter um time em condições de brigar por títulos, temos de reforçar o elenco. A certeza de 2 jogos - na possibilidade de vencermos o 2º turno - privilegia o time mais forte tecnicamente. Remanejar esforços para a Copa do Brasil pode ser a opção mais lógica, mas também reforça ainda mais a necessidade de um time mais qualificado. A venda do único meia que pensasse o jogo (e não me venham comparar com aquele ex-10, mesmo nessa situação não consigo ter saudade alguma dele) reforça a questão. Sanidade fiscal/margem de lucro (?) ou perspectiva de vitória, de conquista?
Soltam boatos... Diego, Íbson, daqui a pouco até mesmo o "Pavão Misterioso" estará admirado com o projeto do Botafogo. Tal projeto eu desconheço, e me sinto feliz em minha ignorância.
Sobre o jogo: O Vasco jogou como vem jogando nesse campeonato. Mal. Não o ridículo Vasco da Guanabara, mas também longe de ser o tal trem bala. Mas eles tiveram duas diferenças básicas com relação ao Botafogo.
1 - Reforços trazidos com o anseio da torcida. Há sempre de haver mais lucro para aqueles que já se encontram em desespero. Um novo treinador, 3 novos meias, um centro-avante (que não jogou ainda). Essa é a diferença chamada ânimo.
2 - Um meio de campo para chamar de seu. O adversário alterou jogadas, ainda travado por algo de desentrosamento, mas trabalhando por baixo, de pé em pé. O Botafogo está há 1 ano com "bola pro Abreu e se não der, f...eu", com o lapso temporal do Maicosuel/Jóbson em parte do ano passado e talvez 2 jogos nesse ano.
Quanto ao primeiro item, só posso dizer que o Botafogo atual não dá tesão. Sério! Cada jogo que passa eu penso no quanto seria feliz com o Jefferson no gol em 2007. Podem me chamar de viúva, e eu reconheço que odeio aquela geração, mas também reconheço o quão espetacular era você ver o time e tentar ler as jogadas, o cardápio era variado. A defesa é que vacilava, além da ansiedade do treinador na época.
Quanto ao segundo, isso já rendeu atrito entre nosso centro-avante e o técnico atual. A guerra fria, ao contrário da harmonia, continua. Havia uma crítica colorada quando o treinador era o Tite (outro exaltado pela mídia), de que só havia jogo mandando bola pro Nilmar e ele que se virasse. Pois é, mas o nosso não tem a qualidade técnica do ex-atacante colorado, embora seja muito bom no ofício de fazer gols.
Outras observações:
- Deve haver algo errado quando o Bruno Thiago faz falta.
- Notas sobre atuação? Nenhuma, só um 8 para o Jefferson, descontado 1 ponto por gol. O resto do time não se houve em campo, ou pelo menos NUNCA mostrou perspectiva de vitória, principalmente após o 1º gol.
- Sequestraram o futebol do Somália (a piada é velha, mas verdadeira), ou sua confiança.
Um páragrafo especial para exemplificar Joel Santana:
Levamos o gol, e ele tirou os 2 laterais para improvisar, IMPROVISAR, nas 2 laterais. Puxou Mancha (o melhor do meio! Incrível) para 3º zagueiro, depois, a pedido do Everton, lançou o 3º atacante em tese, o 4º na prática, já que o Caio simplismente não QUER jogar de ala. E tem muita gente que não quis nada ontem. Se avisassem antes seria melhor, pouparia nossa torcida disso e ainda garantia um aniversário melhor pra Ana Telhado.
Queria não ter de lembrar de "bad donut for you" / "Houston, we have a problem" quando olho pro quadro que o Thiago postou, com a "formação" tática do 2-4-4.:
2 zagueiros; 4 volantes e 4 atacantes.
Não tem isso nos jogos de futebol, devem ser os programadores que não entenderam a perspicácia lógica desse esquema.
Enfim, vamos ver o quanto essa diretoria pretende perder e atirar o ano pela janela. Se for mais do que podemos suportar, que ela tome o mesmo destino.
O "I don't wanna talk about it" do Loco reacendeu, ainda mais silenciosa, a guerra fria. Esse lance de harmonia é próprio do Carnaval e, tal como o desse ano, já acabou.
*Parece que foi de propósito, mas acontece que tenho mais vontade de escrever diante de algum fato. Nossas vitórias não apresentaram tanta convicção (exceto os 4x0) quanto nossas derrotas, mas há muito mais blogs pela internet que pode avaliar rodada a rodada. Me reservo o direito de escrever quando sinto/vejo algo mais concreto. Nesse ano, não vi nada tão animador (em campo, no início do ano fui bem mais esperançoso) para escrever o contrário.
Saudações Alvinegras.
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