
Amigos, ontem foi um dia diferente para mim em especial. Consegui o dinheiro para pagar o transporte rumo à João Pessoa sábado para assistir o Scorpions (na última turnê deles), estudei um bocado pro concurso que tenho de realizar domingo, mas ainda tinha um detalhe pro final da noite. Qual seria? Jogo do Botafogo, claro.
À tarde, lendo alguns tweets (é, também tô nessa bagaça), vi o André, do BotafogoNews, postar foto sobre a ficha do almoço dele, que continha um número emblemático: 1995. Lembrei do meu comentário na faculdade quarta-feira ao amigo botafoguense Filipe Livino: "Na Vila é uma história, mas no Pacaembú, contra o Santos, a alegria é nossa".
Confesso que perdi boa parte do 1º tempo, ainda bem que era a parte onde os boyzinhos da Vila dominavam e nosso melhor nome era o Jefferson (esse devia receber a foto de funcionário do mês a cada 30 dias). De onde eu assisti, o Botafogo ora era um pouco melhor, ora lá e cá.
A escalação do Herrera sozinho no ataque me pareceu errado, mas devo dar o braço a torcer que realmente é difícil parar o Santos. Renato Cajá e Maicosuel em tese estavam juntos, mas o 2º jogou como meia-atacante, imbuído de encostar no argentino. A bola chegava pouco, mas a partir dos 30, as chances começaram a aparecer em sucessão. Na melhor delas, Renato rolou pro Alessandro que fez o de praxe... perdeu.
No 2º tempo, começaram pouco a pouco as alterações em tutorial de Daddy Joel, começa pelo Caio, passa pelo Edno e por último, o El Loco (tá, sei que disse "o" duas vezes, em idiomas diferentes, mas é caricata essa forma de se referir ao uruguaio).
Pausa.
Você leu o nome do boyzinho mais famoso da Vila? O Neymar? Aquele que o Chelsea ofereceu um caminhão de dinheiro e ele recusou? Bom, talvez -TALVEZ - eu devesse citar o nome dele na análise do 1º tempo, mas a verdade é que o Van der Sar seria um oponente menos difícil que o Jefferson. Nosso goleiro é sim um Homem de gelo. Mas ele tem um concorrente dentro do elenco para saber quem é mais frio em momentos de tensão. Falaremos agora desse personagem.
Jogo tenso, mas chato, em termos de finalizações... DJ resolve colocar o Loco em campo, tirando Maicosuel (fez uma partida regular, mas teve erros bobos), daí eu penso "tome chuveirinho".
Na defesa ele - El Loco - foi bem, como na maioria das vezes (o 2º gol do Grêmio não ocorreria com ele em campo), mas no ataque, aos 45 minutos do 2º tempo é que ele "com enorme coragem" (Luís Roberto) fez o gol. E que gol. Daqueles de tu dizer que viu antes do Youtube publicar. Talvez o mais bonito do campeonato até agora. E foi só o 1º.
Jogador da seleção de seu país, artilheiro de ligas nacionais (3 vezes no Uruguai, 1 no México e 1 na Argentina), acostumado ao jogo sul-americano, à pressão, já demonstrou sua frieza ao silenciar metade do Maracanã enquanto ensandecia a outra metade com um gol de pênalti (não um simples gol de pênalti, mas um êxtase), já retratou todo o carisma seja na chegada ao Rio, ao clube, na sessão de autógrafos (que colocou 4 mil pessoas SOMENTE para ver o mito), já repetiu a mesma cavadinha em uma Copa do Mundo, diante de milhões - talvez bilhões - de olhos incrédulos pelo mundo afora. Foi só 1 gol, dirão alguns. Mas é com um gol importante assim, e com todo esse resquício de capacidade em volta dele, que times passam a gerar novos fãs, crianças que poderão imitar o ícone na pelada ou no colégio. É com um atacante assim (isso porque não citei a garra do Herrera ou a diferença que faz o Jóbson), marcando em situações tão determinantes quanto essa, e um goleiro lá atrás, sendo um verdadeiro iceberg mesmo em frente ao calor de uma blitz, por mais qualificada que seja, que times se tornam grandes e conquistam títulos.
Já disse ele na sede da Polícia Federal, quando foi tratar da documentação em fevereiro: "Con El Loco acá, és campeón"
Não duvido nem um pouco.
P.S: Trecho musical fica por conta da banda alemã "Here I am rock you like a hurricane". Sim, el Loco nos enlouquece como um furacão.
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